quinta-feira, 13 de maio de 2010

NA MARGEM DO RIO PIEDRA...

Eu me sentei e chorei.

 
Conta a lenda
que tudo que cai nas águas deste rio
 - as folhas, os insetos, as penas das aves -
 se transforma nas pedras do seu leito.
Ah, quem dera
 eu pudesse arrancar o coração do meu peito
e atira-lo na correnteza,
 e então não haveria mais dor,
nem saudade,
nem lembranças.
Ás margens do rio Piedra eu me sentei e chorei.
O frio do inverno
 fez com que eu sentisse as lágrimas em meu rosto,
 e elas se misturaram
com as aguas geladas que correm diante de mim.
Em algum lugar este rio se junta com outro,
 depois com outro, até que
- distante dos meus olhos e do meu coração -
 todas estas águas se misturam com o mar.
Que as minhas lágrimas corram assim para bem longe,
 para que meu amor nunca saiba que um dia chorei por ele.
Que minhas lágrimas corram para bem longe,
e então eu esquecerei do rio Piedra, d
o mosteiro, da igreja nos Pirineus, da bruma,
dos caminhos que percorremos juntos.
Eu esquecerei as estradas,
as montanhas, e os campos de meus sonhos
- sonhos que eram meus, e que eu não conhecia."



(Paulo Coelho)

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